A descarbonização do transporte exige uma abordagem baseada na neutralidade tecnológica, capaz de integrar de forma complementar todas as soluções disponíveis e de se adaptar às diferentes realidades sectoriais. Esta foi uma das principais conclusões do encontro “Neutralidade tecnológica, Marca Espanha”, organizado por CRECEMOS, Gasnam, SERNAUTO e SHYNE. A sessão, inaugurada pela diretora geral de Estratégia Industrial e PME do Ministério da Indústria e Turismo, Teresa Parejo, reuniu em Madrid mais de 150 representantes do ecossistema industrial, energético, dos transportes e da administração pública.
Durante o encontro, os intervenientes concordaram que alcançar os objetivos climáticos europeus e nacionais exige uma abordagem gradual e tecnologicamente inclusiva, que combine diferentes soluções possíveis, como combustíveis renováveis (gasosos e líquidos) e eletrificação, especialmente nos setores de transporte mais difíceis de eletrificar, como o transporte pesado rodoviário, marítimo, aéreo ou ferroviário.
Neste contexto, ficou claro que a descarbonização do transporte não depende de uma única solução, mas sim de um conjunto de alternativas complementares, entre as quais se incluem combustíveis líquidos e gasosos (como biogás, biocombustíveis, combustíveis sintéticos, hidrogénio e os seus derivados), bem como combustíveis de menor intensidade carbónica, que permitem reduzir emissões e adaptar se às necessidades dos diferentes modos de transporte, aproveitando em muitos casos infraestruturas e tecnologias já existentes.
O papel das diferentes tecnologias na descarbonização do transporte
A primeira mesa redonda analisou o papel complementar das várias soluções disponíveis como vetores essenciais para avançar de forma eficaz na redução das emissões. Neste contexto, o diretor de Serviços Técnicos e Tecnologia da Enagás, Claudio Rodríguez, sublinhou a importância de integrar tecnologias e agentes para acelerar a descarbonização do transporte, e valorizou o desenvolvimento de infraestruturas e corredores energéticos como elementos fundamentais para uma transição sustentável e competitiva.
O diretor de Mobilidade da Molgas, Carlos Salinas, destacou o papel do biometano como solução imediata para o transporte pesado, já que demonstrou ser uma opção viável e competitiva para avançar rumo a um transporte pesado mais limpo, alinhado com a economia circular. Por sua vez, a diretora de Desenvolvimento de Negócio da CIC energiGUNE, Raquel Ferret, valorizou a inovação tecnológica como motor para acelerar o desenvolvimento de soluções limpas. Além disso, a gerente de Estratégia e Melhoria de Combustíveis Renováveis da Repsol, Tamara Galindo, afirmou que a neutralidade tecnológica é essencial para uma transição energética ordenada e viável, ao permitir aproveitar as capacidades industriais existentes e avançar para uma mobilidade competitiva que gere emprego, investimento e valor para Espanha.
