Gás Natural - O Combustível do Futuro

Hoje, mais de 20 milhões de veículos circulam, no mundo, movidos a gás natural (VGNs); distribuídos por 86 países dos cinco continentes, abastecem-se em mais de 25 mil postos disseminados por todo o planeta.

O Gás Natural é um combustível com inúmeros benefícios, em expansão, e com grande potencial a longo prazo. Embora pouco conhecidos, os veículos a Gás Natural já utilizam uma tecnologia bastante consolidada e com provas dadas, sendo que a maioria dos fabricantes, mesmo os de veículos pesados, têm cada vez mais VNG’s na sua frota. O interesse por este combustível é crescente: Fiat, Iveco, Volkswagen, Skoda, Ford,Scania, Opel, GM, Mercedez Benz, Volvo, Renault Trucks, Toyota, Hyundai, Tata – entre outros – são exemplo disso.

O gás natural, pode ser considerado o combustível do futuro, porque na realidade é o único suficientemente abundante, amigo do meio ambiente, economicamente viável e com a infraestrutura necessária para abastecer toda a frota automóvel do mundo, nos próximos 100 anos.

Em termos rodoviários, coexistem dois tipos de Gás Natural: o Gás Natural Liquefeito (GNL) ou o Gás Natural Comprimido (GNC). Em Portugal a utilização de GNV (Gás Natural Veicular) está concentrada, principalmente em frotas de camiões e autocarros.

Uma alternativa amiga do ambiente

“A Paulo Duarte é uma empresa que tem como política de gestão investir na sustentabilidade dos meios de transporte. No seguimento da estratégia delineada e da renovação da sua frota, a empresa adquiriu (recentemente) cinco novos veículos a gás natural veicular. A opção GNV é assumida pela Paulo Duarte, acima de tudo pelas vantagens deste combustível, sendo o factor principal, sem dúvida, a protecção do meio ambiente, comparando com outros combustíveis,” esclarece Sandro Santos, do departamento de Marketing.

A empresa Paulo Duarte presta serviços rodoviários nacionais e internacionais, assumindo-se como uma referência a nível Ibérico nos transportes de líquidos alimentares, mercadorias perigosas a granel, carga geral, entre outros. Esta empresa reconhece os benefícios ambientais do GNV e conta com este combustível para optimizar o máximo possível os seus serviços no futuro.

Sandro Santos refere que, uma das “vantagens que anda sempre indissociada deste tipo de combustível é certamente ser amigo do meio ambiente; o gás natural entra neste cenário como alternativa, séria e direta ao diesel. Como os índices de satisfação de desempenho destes veículos superaram as espectativas a Paulo Duarte pretende continuar o investimento nesta área.”

“Do ponto de vista ambiental, podemos afirmar de forma categórica que o GNV é um combustível amigo do ambiente: tem menor nível de emissões de passivos ambientais e implica também uma substancial redução do nível de poluição sonora, que são uma preocupação atual sobretudo no contexto das grandes cidades,” salienta o Presidente o Presidente Executivo do Grupo Dourogás, Prof. Nuno Afonso Moreira.

O Grupo Dourogás opera no mercado de construção de redes e distribuição de gás há mais de 20 anos. O Prof. Nuno Moreira, licenciado em Engenharia Mecânica e doutorado em Gestão Industrial, acredita que o gás natural pode mesmo revelar-se o combustível do futuro. “O gás natural, ao assegurar uma redução de emissões de dióxidos de carbono de 20% a 25%, sendo isento de dióxidos de enxofre e praticamente eliminando os níveis de emissão de partículas poluentes, pode claramente ser o combustível de transição para as próximas décadas. Sobretudo, no transporte profissional de médio e longo curso e em operações especiais como a logística urbana, o transporte de passageiros e a recolha de lixos.”

Segundo Pedro Marques, representante da Galp, o Gás Natural é mesmo a única hipótese possível a longo prazo, especialmente ao nível dos pesados. “As alterações climáticas são uma das grandes preocupações globais, e é nosso dever, enquanto empresa de serviços energéticos, disponibilizar soluções que permitam que os nossos clientes reduzam a sua pegada ambiental sem perderem competitividade. Neste momento, o gás natural é a única opção viável para as frotas de transporte pesado rodoviário de mercadorias. Não existe outra.”

Uma energia mais económica

Principalmente ao nível da redução de custos, as empresas de pesados têm-se apercebido cada vez mais da poupança que pode ser feita com a utilização desta energia. “O segundo factor da nossa aposta (aquisição de cinco veículos a GN), deve-se ao facto de ser uma energia mais económica em relação ao consumo de outros veículos, principalmente o diesel - conseguimos efetuar uma determinada rota a um custo mais reduzido. A própria autonomia dos novos veículos proporciona esse benefício à empresa,” revela Sandro Santos.

Jorge Figueiredo, Vice-Presidente da Associação Portuguesa do Veículo a Gás Natural (APVGN), revelou que a média mundial indica que circular a gás natural é cerca de 66% mais económico do que movimentar-se a gasolina e custa cerca de 33% menos em comparação ao gasóleo.

O Vice-Presidente da APVGN alerta ainda para o facto de “os países que são obrigados a importar combustíveis pagam pelo gás natural (GNL) cerca de 50% menos do que por combustíveis líquidos como o gasóleo (por unidades de energia equivalente).” Diferenças de valores com impactos decisivos para a economia de cada país.

“O Gás Natural Veicular é efetivamente uma energia mais económica, quando comparada com os combustíveis tradicionais, nomeadamente com o gasóleo, daí que em 2013 tenhamos entrado neste negócio com a instalação de um primeiro posto de abastecimento de GNL (gás natural líquido) e GNC (gás natural comprimido), informa o Presidente da Dourogás.

“Cada vez mais governos estimulam o gás natural como eixo central da sua política energética e de transportes a fim de romper a dependência gerada pela importação permanente de petróleo e desagravar as suas balanças de pagamentos,” refere Jorge Figueiredo (APVGN), destacando o custo elevado da importação de combustíveis para os vários países.

Uma maior Autonomia por um custo menor

“O grande salto tecnológico do gás natural veicular aconteceu sobretudo a partir do momento em que, no transporte profissional, entenda-se transporte pesado de mercadorias e carga geral, passou a ser possível percorrer distâncias superiores a 1.000 km devido à capacidade de armazenagem de GNL em tanques criogénicos nos camiões de longo curso. É aqui que reside, em nossa opinião (Grupo Dourogás), a mudança de paradigma do transporte profissional, onde o custo por quilómetro, tecnicamente designado por TCO – Total Cost of Ownership, pode ser objecto de uma redução muitíssimo substancial,” uma das grandes vantagens do GNL enaltecida pelo Prof. Nuno Moreira.

O Vice-Presidente da APVGN explica que “a densidade energética do gás liquefeito é tão grande que um camião TIR com um reservatório GNL mais pequeno que um tanque de gasóleo tem uma autonomia na ordem dos 700 km. Na verdade, toda a camionagem ibérica poderia passar a ser feita em GNL, com grandes vantagens económicas e ambientais.”

Uma rede de Abastecimento em expansão

Quanto ao abastecimento dos VNG’s, há todo um caminho em aberto. Hoje já há 12 postos de abastecimento de GNC e/ou GNL em Portugal e 44 em Espanha.

A Península Ibérica é a região do mundo com a maior densidade de portos metaneiros, sete, e inúmeros gasodutos de transporte.

As unidades de liquefação (na origem) e regaseificação (no destino) permitem – através da tecnologia do GNL – que o gás natural chegue a qualquer parte do mundo. Os navios metaneiros garantem a sua distribuição global e a possibilidade de oferecer um abastecimento em grande escala alternativo aos gasodutos.

O Grupo Dourogás tem seis postos de abastecimento de Gás Natural em Portugal e ambicionam continuar a expansão, contribuindo para um futuro sustentável. O professor Nuno Moreira revelou que a Dourogás “no âmbito da iniciativa CEF – Connecting Europe Facilities, apresentou uma candidatura denominada ECO-GATE (European Corridors for natural GAs Transport Efficiency) - o projecto mais ambicioso alguma vez aprovado pela Comissão Europeia no domínio do transporte sustentável. Neste projeto, levaremos a cabo a instalação em Portugal de mais 4 pontos de abastecimento de GNL e GNC, situados em Palmela, Maia, Vilar Formoso, Lisboa e um em Espanha, em Valladolid.”

Os pesados e o combustível do futuro em Portugal

O Vice-Presidente da APVGN acredita que em Portugal é cada vez mais rentável a utilização de VGNs em frotas de camiões, uma vez que: “já há uma rede de postos de abastecimento tanto de gás natural comprimido (Braga, Porto, Lisboa, Loures), como de liquefeito (Mirandela, Carregado, Picoto, Azambuja, Matosinhos e dentro em breve Elvas); já há transportadores importantes que utilizam camiões a gás natural produzidos em fábrica; já há empresas aptas a transformar motores de camiões a gasóleo para a adopção do Ciclo Diesel.”

Actualmente, todos os grandes fabricantes de camiões, furgões e autocarros produzem modelos a gás natural, quer na forma comprimida (GNC) ou liquefeita (GNL). Trata-se de veículos dotados de motores de Ciclo Otto, preparados para consumir exclusivamente gás natural. Como tal, do lado dos fabricantes há uma grande receptividade para a substituição progressiva dos combustíveis tradicionais pelo gás natural.

A Galp também tem projectos para o futuro, que naturalmente passam pela expansão da sua rede de Gás Natural. “Pensamos que o switch (a mudança) para o GNV é inevitável para todo o transporte rodoviário de mercadorias de longa distância, por ser a única forma das grandes frotas transportistas reduzirem emissões. O primeiro passo para a implementação de qualquer nova fonte de energia aplicada à mobilidade, e sobretudo aos transportes de longa distância, é a cobertura dos grandes eixos rodoviários e é essa a nossa prioridade, à semelhança do que aconteceu com os pontos de carregamento para carros eléctricos, que hoje já permite atravessar o país de norte a sul. De igual forma, hoje já é possível a um camião pesado de mercadorias movido a GNV viajar de Lisboa ou do Porto até ao centro da Europa de forma mais sustentável e tranquila. A Galp também já disponibiliza pontos de abastecimento de GNV ao longo da sua rede em Espanha, nomeadamente em Jarama - Madrid e La Junquera, e continuará a alargar geograficamente a sua rede,” adianta Pedro Marques.

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